Pesquisadores da Seapi (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação) começaram a testar um produto biológico inédito para o controle do carrapato bovino, com aplicação direta nas pastagens por meio de drones.
A fase mais recente dos testes ocorreu em Hulha Negra, na Campanha gaúcha, marcando um novo passo rumo a uma alternativa mais sustentável ao modelo tradicional baseado em químicos. “O Rio Grande do Sul concentra um dos principais focos de infestação de carrapato bovino nas Américas”, ressaltou a Seapi.
Conforme a Seapi, desenvolvido pelo Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor, o projeto propõe uma mudança de paradigma: em vez de tratar o animal com produtos químicos, a estratégia atua no ambiente onde o carrapato passa a maior parte do seu ciclo de vida.
“A maior parte dos carrapatos está na pastagem, aguardando o hospedeiro. Mesmo assim, o controle segue concentrado no animal”, enfatizou o pesquisador José Reck.
Reck ressaltou que o estudo utiliza micro-organismos presentes no solo, como fungos e bactérias, selecionados por sua capacidade de atingir o carrapato sem causar danos aos bovinos, aos seres humanos ou ao ambiente.
“Esses agentes biológicos são concentrados em uma formulação e aplicados diretamente no campo, com apoio de drones, o que amplia a escala e a eficiência da operação”, completou a Seapi.
Iniciado no começo de 2025, o projeto está em fase de validação em escala real, com monitoramento contínuo das áreas experimentais.
Atualmente, dois tratamentos estão em teste, com avaliação sistemática de custo-benefício. “A previsão é manter os experimentos até julho, quando a chegada do inverno reduz naturalmente a população de carrapatos, permitindo um balanço mais preciso dos resultados” ressaltou Reck.





