Doenças cardíacas em cães e gatos exigem atenção dos tutores e acompanhamento veterinário regular, especialmente porque muitas delas evoluem de forma silenciosa e só são identificadas em estágios mais avançados.
Alterações no músculo cardíaco e nas válvulas podem comprometer o funcionamento do coração progressivamente, impactando a qualidade de vida dos animais e aumentando os riscos quando o diagnóstico ocorre tardiamente.
Embora possam atingir pets de diferentes idades, raças e perfis, incluindo animais sem raça definida, essas doenças nem sempre apresentam sinais claros no início. Quando aparecem, os sintomas costumam incluir cansaço excessivo, falta de ar, tosse e perda de peso, manifestações que muitas vezes são percebidas apenas quando o quadro já está mais avançado.
Ausência de sinais
Segundo o médico-veterinário cardiologista Diego Goulart Sampaio, a ausência de sinais evidentes nas fases iniciais é um dos principais desafios no diagnóstico das doenças cardíacas.
“Muitos animais não demonstram sintomas no começo, e isso faz com que o problema evolua sem ser percebido. Por isso, incluir a avaliação cardiológica na rotina de cuidados é fundamental, principalmente em pacientes mais velhos ou com alguma predisposição”, explicou.
Entre os principais exames utilizados na investigação cardíaca estão:
- Eletrocardiograma: responsável por avaliar o ritmo cardíaco e identificar possíveis arritmias;
- Ecocardiograma: permite analisar o fluxo sanguíneo e o funcionamento das estruturas do coração, incluindo o tamanho das câmaras cardíacas.
Na prática, esses exames não apenas auxiliam no diagnóstico, mas também permitem monitorar a evolução da doença e ajustar o tratamento conforme a necessidade de cada pet. “A partir desses exames, conseguimos entender melhor o estágio da doença, acompanhar a resposta ao tratamento e tomar decisões mais seguras ao longo do acompanhamento clínico”, afirmou o veterinário.
Além da investigação diagnóstica, a medicina veterinária também conta com procedimentos que auxiliam no manejo de complicações cardíacas. Entre eles estão as drenagens de líquidos acumulados ao redor do coração, conhecidas como efusões pericárdicas, que podem comprometer o funcionamento cardíaco e exigem intervenção rápida.
“Hoje em dia inclusive há procedimentos minimamente invasivos muito seguros que corrigem ou amenizam tanto defeitos congênitos como adquiridos. Isso demonstra a evolução da cardiologia veterinária, tanto no diagnóstico como no tratamento das doenças cardíacas”, destacou Sampaio.
Rotina de check-ups
A recomendação é que os tutores mantenham uma rotina de check-ups e estejam atentos a mudanças no comportamento dos pets, como cansaço, dificuldade respiratória ou redução da disposição.
Em cardiologia, o tempo é um fator decisivo. Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as chances de controle da doença e de preservação da qualidade de vida do animal.





