O Grupo Hospitalar Conceição inaugurou, nesta quarta-feira (19), o Ambulatório Prisma, um espaço dedicado ao atendimento de crianças e adolescentes com TEA (Transtorno do Espectro Autista).
Para marcar o momento, foi realizada uma cerimônia no Auditório Jahyr Boeira de Almeida, no Centro Administrativo do Grupo Hospitalar Conceição, com a presença de trabalhadores, autoridades e imprensa.
Na primeira fase, já iniciada, o serviço oferecerá assistência aos filhos de trabalhadores do da instituição que aderiram ao RET (Regime Especial de Trabalho), concedido aos funcionários que são pais de crianças com deficiência, como o autismo. A ideia é que o modelo seja testado com o objetivo de expansão para os demais usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) em 2027.
“Temos, no sistema de saúde, uma grande necessidade e poucos serviços abertos para cuidar das pessoas com TEA. Nessa primeira fase, vamos criar protocolos de cuidado clínico, definir processos, fluxos e treinamento de profissionais. Depois, vamos contratualizar com municípios e abrir o atendimento para todas as crianças e adolescentes”, disse Gilberto Barichello, diretor-presidente do Grupo Hospitalar Conceição.
Rosana Reis Nothen, diretora de Atenção à Saúde do Grupo Hospitalar Conceição, destacou que o ambulatório tem a capacidade de reunir os serviços necessários aos pacientes.
“Entre os desafios está a organização familiar, que é penosa e trabalhosa para pais e cuidadores de crianças com autismo. Isso se soma a uma peregrinação em vários serviços de saúde. Centralizar todo esse atendimento em um lugar é importante para a comodidade da família. É um tratamento que vai permitir que a criança desenvolva potencialidades”, pontuou.
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Educação, Infância e Juventude do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Cristiane Corrales, disse que a criação de espaços para o cuidado de pacientes com TEA garante direitos humanos básicos.
“É um grande desafio entender quais são as melhores propostas para essas crianças e adolescentes. Temos muitas terapias que podem funcionar para uma pessoa e não para outra. Então, esse aspecto da individualidade proposto pelo ambulatório é muito importante para o sucesso do tratamento”, ressaltou Cristiane.
A defensora pública Bruna Minussi Zanini destacou que, com o novo espaço, o SUS ganhou uma referência na assistência a pessoas com autismo.
“Sabemos que o diagnóstico e o tratamento precoce são fundamentais para o futuro das crianças com TEA, para que elas superem barreiras que a sociedade impõe a pessoas neurodivergentes. Isso depende muito do trabalho que é feito a partir de espaços como o Ambulatório Prisma”, acrescentou.
Como vai funcionar
O Grupo Hospitalar Conceição afirma que o ambulatório busca proporcionar um ambiente seguro e com ajustes às necessidades dos pacientes, incluindo o controle de luzes e a atenuação de sons.
Os primeiros atendimentos começaram no início de julho, e a estimativa é que 55 crianças, de zero a 14 anos incompletos, utilizem as dependências nesta primeira etapa de operações.
Com funcionamento às segundas e quintas-feiras, das 7h às 19h, o ambulatório está instalado no prédio da endocrinologia pediátrica do Hospital Criança Conceição. O espaço tem uma recepção, três consultórios, uma cozinha experimental e uma sala sensorial que abriga equipamentos de cunho lúdico e de teste motor.
“Todos os graus de suporte serão atendidos nos nossos serviços. As terapias vão ser pensadas para cada criança. A ideia não é substituir o atendimento que eles têm na rede, mas complementar a assistência. Queremos ofertar outras especialidades para dar um suporte maior à criança”, explicou Jeniffer Dernitz Rosa, enfermeira do ambulatório.
O quadro funcional é composto por profissionais das áreas de neuropediatria, psiquiatria, psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, fisioterapia, nutrição, serviço social e enfermagem.




