Além do pediatra, quais especialistas devem acompanhar a saúde da criança?

O pediatra é a principal referência para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento infantil.

publicado em

atualizado em

Google Favorite nosso conteúdo no Google  
52393100396 c950c90c07 o
Foto: Cristine Rochol/PMPA

Dificuldade na escola, atraso na fala, problemas para enxergar ou mudanças de comportamento nem sempre são apenas fases da infância. Em alguns casos, esses sinais podem indicar que a criança precisa ser avaliada por outro profissional além do pediatra.

O pediatra é a principal referência para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento infantil. O médico pediatra Hamilton Henrique Robledo explica que nas consultas, também são observados aspectos como alimentação, sono, vacinação e comportamento.

Segundo Robledo, quando aparece alguma alteração que precisa de uma investigação mais específica, outros profissionais podem ser chamados.

“É comum os pais esperarem que o problema fique evidente para procurar ajuda. Só que algumas alterações aparecem de maneira muito sutil. Uma criança que não enxerga bem pode não reclamar da visão; ela pode simplesmente evitar determinadas atividades. Por isso, observar mudanças no comportamento e no desempenho também faz parte do cuidado”, ressaltou Robledo.

Visão

Nem sempre a criança diz que está enxergando mal. Aproximar-se demais da televisão ou dos livros, apertar os olhos para enxergar, reclamar de dor de cabeça ou apresentar dificuldade para acompanhar atividades na escola são sinais que merecem atenção.

E dificuldade para enxergar pode aparecer no desempenho escolar. Nessas situações, o oftalmologista pode investigar alterações de visão e indicar a conduta adequada.

Atraso na fala

O atraso na fala não deve ser tratado sempre como “fase”. Trocas de sons, dificuldade persistente para se expressar ou compreender a linguagem e problemas de comunicação podem indicar a necessidade de uma avaliação com fonoaudiólogo.

O profissional também atua em questões relacionadas à voz, à fluência e à deglutição. Quando há suspeita de alteração auditiva, a investigação da audição também pode ser necessária, já que ouvir bem é importante para o desenvolvimento da linguagem e da comunicação.

Otites e ronco frequente merecem atenção

Infecções de ouvido recorrentes, dificuldade para ouvir, respiração pela boca, ronco frequente ou alterações persistentes no nariz e na garganta podem justificar uma consulta com otorrinolaringologista.

Problemas auditivos, por exemplo, podem interferir na fala, na comunicação e no desempenho escolar. Por isso, uma criança que parece desatenta ou que começa a apresentar dificuldades na escola pode precisar de uma avaliação mais ampla.

Dentista

O dentista não deve ser procurado apenas quando aparece dor. O acompanhamento odontológico também faz parte dos cuidados na infância. O dentista acompanha a formação e a troca dos dentes, orienta a higiene, previne cáries e pode identificar alterações na mordida.

A consulta também ajuda a orientar hábitos que podem influenciar a saúde bucal durante o crescimento.

Restrição alimentar e alterações de peso

Recusa persistente de determinados alimentos, dieta muito restritiva, perda de peso ou ganho acima do esperado são situações que podem levar o pediatra a indicar uma avaliação nutricional.

O nutricionista pode analisar a rotina alimentar e verificar se a criança está recebendo os nutrientes necessários para o crescimento e o desenvolvimento.

Alterações na pele

Urticárias recorrentes, dermatites que não melhoram com os cuidados habituais ou lesões de aparência incomum também merecem atenção. Nesses casos, o dermatologista pode ajudar a identificar a causa das manifestações, diferenciar condições semelhantes e indicar o tratamento mais adequado.

Mudanças de comportamento

Alterações persistentes de humor, sono, comportamento, interação social ou adaptação à escola e à rotina familiar também merecem atenção. Dependendo do caso, o pediatra pode encaminhar a criança para um psicólogo ou outro profissional especializado em saúde mental infantil.

“Uma mudança de comportamento que persiste e começa a interferir na rotina da criança merece atenção. Em vez de atribuir tudo a uma fase ou chamar a criança de desatenta, é importante entender o que está por trás daquela mudança”, afirmou Robledo.

Outros especialistas podem ser necessários

Endocrinologista, cardiologista, neurologista, alergista e outros especialistas podem fazer parte do acompanhamento quando existem sintomas, alterações identificadas pelo pediatra, histórico familiar ou alguma condição que exija investigação.

Isso não significa que toda criança precise passar por uma série de consultas. O acompanhamento deve ser individualizado, de acordo com a idade, o desenvolvimento e os sinais apresentados.

Mais do que cumprir uma lista fixa de consultas, o objetivo é perceber quando algo foge do esperado e investigar a causa.

“Uma alteração na visão, na audição, na fala, no crescimento, na alimentação ou no comportamento pode passar despercebida quando é tratada apenas como uma fase da infância”, finalizou Robledo.

Tópicos