Chocolate: Aminoácido presente no cacau ajuda a melhorar o humor

O impacto no humor varia drasticamente conforme a concentração de massa de cacau nos chocolate.

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Foto: Paula Laboissiêre/Agência Brasil

Para muitas pessoas, comer chocolate gera uma sensação de felicidade, o que poucos sabem é que essa sensação tem base científica. Esse alimento realmente pode impactar positivamente o humor.

O efeito benéfico é desencadeado pelo triptofano, um aminoácido presente em alta concentração no cacau, que é um precursor direto da serotonina, um neurotransmissor conhecido por regular o sono, reduzir a ansiedade e combater a irritabilidade.

“O mais importante para obter os benefícios do triptofano é a pureza do cacau. Quanto maior a porcentagem, maior o impacto positivo na bioquímica cerebral, contribuindo significativamente para o humor e a cognição”, explicou a nutróloga Júlia Soffner.

Segundo a especialista, diferente do pico de energia seguido por fadiga causado pelo excesso de açúcar em versões ultraprocessadas, o cacau puro (70% ou mais) é rico em teobromina. Este alcalóide oferece um efeito estimulante mais suave e persistente que a cafeína, potencializando a concentração.

“O consumo ideal para colher benefícios para o emocional está na faixa de 70% a 85% de sólidos de cacau. Abaixo disso, o excesso de açúcar tende a anular os efeitos neuroquímicos positivos, gerando picos glicêmicos que podem causar quedas bruscas de energia e alterações de humor,” ressaltou Júlia.

Diferença nutricional

O impacto no humor varia drasticamente conforme a concentração de massa de cacau nos chocolates. A especialista explica que o chocolate extra amargo (85% a 100% de cacau) possui uma maior concentração de triptofano e teobromina, proporcionando uma melhora na química cerebral. Já o chocolate amargo (70% a 80%) também tem esses benefícios.

“O meio amargo (40% a 60%) é uma opção com vantagens moderadas, pois a menor concentração de cacau corre o risco de concorrência com o pico glicêmico. No caso do chocolate ao leite (25% a 35%), o impacto positivo neuroquímico é baixo, e o bem-estar gerado é efêmero, vindo principalmente do açúcar”, comentou a nutróloga.

Júlia também ressalta que o chocolate branco, por não conter massa de cacau, é nulo do ponto de vista nutricional em relação ao triptofano ou teobromina. Além disso, o consumo diário de chocolate recomendado gira em torno de 10g a 30g por dia, de acordo com a nutróloga.

“Para quem busca no chocolate um suporte para o bem-estar e desempenho cognitivo, a recomendação é priorizar o chocolate amargo, consumindo-o de forma moderada. O alimento consolida-se, assim, não apenas como um prazer gastronômico, mas como suporte à saúde emocional”, concluiu a especialista.

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