A erva-mate foi tema de debate na COP30, em Belém, no domingo (16).
No painel “Erva-mate e O Futuro Verde: Descarbonização, Florestas e Comunidade”, pesquisadores do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Seapi (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação) apresentaram os estudos que mostram o potencial da erva-mate para promover a descarbonização e aumentar o carbono no solo.
No evento, o engenheiro florestal Jackson Brilhante mostrou que o sistema sombreado utilizado na produção de erva-mate é o que mais se aproxima da mata nativa, de acordo com os estudos que a Seapi vem desenvolvendo.
“É um sistema que vai ter maior capacidade de adaptação às mudanças climáticas, porque tem maior reserva de nutrientes, maior taxa de infiltração de água no solo e consequentemente maior atividade biológica. Na pequena porção de solo analisada até agora neste estudo, estimativas indicam a presença de dezenas de bilhões de microrganismos, entre bactérias e fungos, convivendo com as raízes da erva-mate”, afirmou.
Já o meteorologista da Seapi, Flávio Varone, falou sobre os dados das estações meteorológicas, comparando as que estão no sistema sombreado com as que estão no sistema pleno sol.
“O sistema sombreado proporciona um resultado melhor para a planta, registrando temperaturas mais baixas durante o verão e mínimas mais altas durante o inverno, o que favorece o conforto da planta”, ressaltou Varone.
Selos
A diretora de Biodiversidade da Sema (Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura), Cátia Viviane Gonçalves, apresentou o Selo de Manejo Certificado entregue pela Secretaria, um instrumento de reconhecimento e valorização das práticas sustentáveis desenvolvidas no Rio Grande do Sul.
Segundo a Seapi, atualmente, no Rio Grande do Sul, há 97 propriedades certificadas que cultivam erva-mate entre suas espécies nativas, demonstrando que é possível conciliar produção econômica com conservação ambiental.
“O selo garante segurança jurídica, rastreabilidade e credibilidade ao manejo da flora nativa, fortalecendo o compromisso dos produtores com o uso sustentável dos recursos florestais e estimulando novos modelos de economia verde no Estado”, destacou Cátia.
Já o gerente de Classificação e Certificação da Emater/RS-Ascar, Mateus Rocha, explicou como funciona o selo de certificação da erva-mate emitido pela empresa. Atualmente, seis ervateiras participam do programa. “A gente faz o acompanhamento de todo o processo, desde a lavoura até a gôndola, através de auditorias, para fazer as orientações e adaptações devidas”, afirmou Rocha.
“O selo de qualidade da Emater fica impresso nas embalagens de erva-mate, garantindo a segurança do produto que chega até o consumidor”, destacou a Seapi.





