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Projeto destaca vinhos de 4 vinícolas dos RS no mercado francês

O objetivo do projeto é colocar os vinhos brasileiros nas mentes e nos corações dos europeus.

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Foto: Fernando Dias/Seapi

O Rio Grande do Sul assume protagonismo na nova fase de internacionalização do vinho brasileiro ao marcar presença na estreia de um projeto estruturado para inserir rótulos nacionais no mercado francês.

Com quatro vinícolas selecionadas para a primeira exportação, o estado reforça sua posição entre as regiões que vêm consolidando o Brasil como origem de vinhos de identidade no cenário europeu.

É nesse contexto que entra o Vin du Brésil, projeto que une cultura, gastronomia e estratégia internacional para levar o Brasil à França por meio de seus vinhos, posicionando o país no imaginário europeu a partir da experiência, da narrativa e da mesa francesa, um dos territórios mais simbólicos e exigentes do universo vínico.

A iniciativa é fruto da união entre o renomado chef francês Benoit Mathurin, o empresário italiano Giovanni Montoneri, residente no Brasil há 12 anos e entusiasta dos vinhos nacionais, o jornalista e influenciador francês Xavier Vankerrebrouck, e o brasileiro Guilherme França, sócio da Intrust Associates, empresa responsável pela curadoria estratégica e pela estruturação internacional do projeto.

O objetivo do projeto é colocar o vinho brasileiro nas mentes e nos corações dos europeus, construindo reputação de longo prazo em um mercado altamente competitivo. “Na França, o vinho é uma linguagem cultural. Quando apresentamos os vinhos brasileiros, não falamos apenas de qualidade, mas de identidade, origem e emoção. Meu papel é ajudar a traduzir essa narrativa para o público europeu”, afirmou Xavier Vankerrebrouck.

A estreia do projeto aconteceu por meio de uma ativação inspirada no histórico Julgamento de Paris, reunindo empresários, enófilos e formadores de opinião. A curadoria apresentou vinhos elaborados com leveduras indígenas, técnicas como poda invertida, além de terroirs singulares e uso de barricas brasileiras, revelando a originalidade e a sofisticação da enologia nacional.

Nesta primeira fase, seis vinícolas brasileiras participaram da degustação, sendo quatro em Rio Grande do Sul: ArteViva (Bento Gonçalves), La Grande Bellezza (Pinto Bandeira), Manus (Encruzilhada do Sul) e Bebber (Flores da Cunha), e duas em Minas Gerais: Bárbara Eliodora (São Gonçalo do Sapucaí) e Estrada Real (Caldas).

Meta

Segundo Guilherme França, a meta é chegar a 15 vinícolas até o final de 2026, ampliando a diversidade de terroirs e estilos apresentados ao mercado europeu.

O primeiro lote de exportação está previsto para o mês de março de 2026, reunindo 12 rótulos dos seis produtores, com preços estimados entre 15 e 50 euros no varejo francês.

“No meu restaurante, o Esther Rooftop, trabalho exclusivamente com vinhos brasileiros e vejo diariamente o impacto que eles causam. O Brasil só não ocupa hoje um espaço maior no cenário internacional por falta de conhecimento e incentivo”, afirma o chef Benoit Mathurin.

Já para Giovanni Montoneri, o caráter autoral é o grande diferencial. “São vinhos expressivos, versáteis e ainda pouco conhecidos na Europa. O Vin du Brésil nasce para mudar essa percepção e abrir espaço para o Brasil como produtor de vinhos de identidade”, destacou.

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