,

RS abriga a terceira maior comunidade judaica do Brasil e completa 122 anos de imigração

A presença judaica no Estado teve início no começo do século XX.

publicado em

atualizado em

comunidade judaica
Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini

O Rio Grande do Sul abriga atualmente a terceira maior comunidade judaica do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, estimada entre 10 mil e 15 mil pessoas, de acordo com o Instituto Marc Chagall.

A presença judaica no Estado teve início no começo do século XX e completa 122 anos em 2026. A trajetória e as contribuições dessa imigração ganham destaque especialmente no Dia Nacional da Imigração Judaica, celebrado em 18 de março.

Para a presidente da FIRS (Federação Israelita do Rio Grande do Sul), Daniela Russowsky Raad, a data é um marco importante para valorizar a trajetória de uma das comunidades que ajudaram a construir a história do Estado.

“Celebrar o Dia Nacional da Imigração Judaica é recordar a coragem de famílias que chegaram ao Rio Grande do Sul em busca de segurança e de um novo começo. Os imigrantes nos deixaram um legado de bravura e resiliência, contribuindo, ao longo de gerações, para o desenvolvimento social, cultural e econômico do nosso Estado. Ao mesmo tempo, preservar essa memória também significa reafirmar a importância do respeito, da diversidade e do combate ao antissemitismo”, afirma.

A imigração judaica para o sul do Brasil está inserida em um contexto de perseguições no Leste Europeu no final do século XIX e início do século XX. Judeus enfrentavam restrições legais, violência e episódios de pogroms, ataques organizados contra comunidades, que levaram milhares de famílias a buscar novos destinos.

No Rio Grande do Sul, um dos marcos iniciais foi a criação da colônia de Philippson, em 1904, no município de Santa Maria, considerada a primeira colônia judaica oficialmente organizada no país. Poucos anos depois, outras experiências se consolidaram, como em Quatro Irmãos, hoje reconhecida como a Capital Nacional da Imigração Judaica. Essas iniciativas foram estruturadas com apoio da Jewish Colonization Association, organização criada para oferecer condições de recomeço a famílias judias por meio da agricultura.

Grande parte desses imigrantes, no entanto, não tinha experiência prévia com o trabalho no campo. Vindos de centros urbanos, precisaram aprender novas práticas, adaptar-se ao clima, à língua e às condições locais. A vida nas colônias era desafiadora, com limitações de infraestrutura e acesso a serviços, o que levou muitas famílias, ao longo do tempo, a migrarem para centros urbanos.

Reflexão

A FIRS destaca que, além de preservar essa memória histórica, o Dia Nacional da Imigração Judaica também convida à reflexão sobre desafios contemporâneos enfrentados pela comunidade judaica, entre eles o combate ao antissemitismo, fenômeno que ainda se manifesta em diferentes partes do mundo.

Para a entidade, manter viva essa história é uma forma de reforçar valores como tolerância, convivência plural e respeito entre culturas.

“Além de valorizar o legado deixado por esses imigrantes que chegaram em uma terra desconhecida, foram recebidos de braços abertos e tiveram a oportunidade de se desenvolver e integrar a sociedade gaúcha, da qual a comunidade judaica local tanto se orgulha em fazer parte”, disse.

Tópicos