O Rio Grande do Sul é o estado com a maior proporção de idosos do Brasil.
Segundo o Censo de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 20,15% da população gaúcha tem 60 anos ou mais. O dado reflete uma mudança demográfica acelerada e levanta novos desafios para áreas como saúde, planejamento financeiro e políticas de cuidado.
Esse cenário esteve no centro dos debates da 1ª Jornada da Longevidade, promovida pelo Lar Israelita em parceria com a SBGG/RS (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), nesta quarta-feira (11), no Instituto Ling, em Porto Alegre..
O presidente do Lar Israelita, Mauro Soibelman, destacou que o envelhecimento acelerado da população exige preparação da sociedade.
“Sabemos que no mundo todo há um envelhecimento da população, mas no nosso estado isso se expressa com mais intensidade. Também já temos uma redução da taxa de natalidade, o que é positivo porque significa que as pessoas estão vivendo mais, mas traz uma responsabilidade: tornar essa vida mais longa também uma vida com mais qualidade. E não sei se a nossa sociedade está preparada para isso”, afirmou.
Segundo ele, é fundamental ampliar o debate sobre o tema, e encontros que reúnem especialistas para discutir o envelhecimento da população têm papel importante nesse processo. “Precisamos nos debruçar sobre esses assuntos para nos prepararmos, enquanto sociedade, para tratar adequadamente as pessoas que envelhecem. As pessoas querem viver mais, mas querem viver bem, e precisamos planejar isso”, afirmou.
Saúde mental e envelhecimento
O médico geriatra João Senger destacou a importância da saúde mental no processo de envelhecimento. “Quando falamos sobre longevidade, sempre pensamos na saúde física, mas também existe o lado mental, que é extremamente importante. Sabemos que boa parte das doenças muitas vezes vem das nossas cabeças”, afirmou Senger, que é mestre em Saúde Coletiva, professor assistente de Geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade Feevale, diretor pesquisador do Instituto Moriguchi – Centro de Estudos do Envelhecimento e diretor científico da SBGG/RS.
Segundo ele, fatores como perda de autonomia, morte de amigos e familiares e isolamento social podem impactar a saúde mental dos idosos. “A solidão pode ocorrer em qualquer momento da vida, mas quando se torna frequente está associada a piores resultados de saúde. A qualidade das nossas relações tem impacto direto no bem-estar”, disse Senger.
Ciência e hábitos
O médico Mário Cardoni, diretor médico do Lar Israelita, apresentou evidências científicas sobre o processo de envelhecimento e esclareceu conceitos ainda cercados por desinformação.
Segundo ele, a longevidade está diretamente relacionada à forma como o organismo consegue manter processos biológicos equilibrados ao longo da vida. “Se permitirmos que as renovações celulares aconteçam de forma saudável, podemos favorecer uma vida mais longa”, explicou.
Cardoni destacou que pesquisas realizadas em regiões do mundo conhecidas pela alta expectativa de vida apontam alguns fatores em comum entre as populações mais longevas, como controle do estresse, prática regular de atividade física, alimentação baseada em alimentos naturais, sono adequado e manutenção de vínculos sociais e propósito de vida.
Durante a apresentação, o médico também ressaltou a importância de uma alimentação equilibrada e da prática de exercícios físicos para preservar a saúde ao longo dos anos, além da necessidade de cuidar da qualidade e da quantidade do sono como parte fundamental do processo de envelhecimento saudável.
Uso seguro de medicamentos
O farmacêutico clínico Bruno Simas da Rocha, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, falou sobre os cuidados necessários com o uso de medicamentos na população idosa.
Com a expectativa de vida ao nascer no Brasil em 76,4 anos, segundo o IBGE, ele destacou que os medicamentos têm papel importante no aumento da longevidade. “Os medicamentos são aliados nesse processo, mas precisam ser utilizados de forma racional e com acompanhamento profissional”, afirmou Rocha.
Segundo ele, com o envelhecimento, o corpo passa por mudanças que podem alterar a resposta aos remédios, tornando fundamental revisar periodicamente os tratamentos. Entre as recomendações, estão: manter uma lista atualizada de medicamentos e organizar horários de uso para evitar confusões.
Planejamento financeiro e longevidade
A importância da organização financeira ao longo da vida foi abordada por Leonardo Wengrover, CEO da W Advisors, empresa responsável por Planejamento Estratégico do Patrimônio Familiar. Profissional com mais de 25 anos de atuação no mercado financeiro, ele falou sobre planejamento patrimonial e sucessão familiar.
Segundo ele, muitas famílias ainda têm dificuldade em discutir o tema, mesmo quando o patrimônio e a continuidade familiar estão em jogo. “Qual é o bem mais precioso que temos na vida? Além da saúde, muitas vezes é a nossa família e a continuidade dela. Para algumas pessoas esse é o maior patrimônio, e é preciso investir no desenvolvimento desse capital humano”, afirmou.
Wengrover destacou que o planejamento financeiro envolve organizar ativos, receitas futuras e gastos, além de definir objetivos de longo prazo. “Ter acompanhamento profissional traz segurança sobre como esse patrimônio irá se comportar nas próximas gerações”, finalizou o especialista.




