Cada vez mais presentes na rotina, especialmente entre jovens e adolescentes, as bebidas energéticas são consumidas na busca por maior disposição para estudar, trabalhar, praticar atividades físicas ou prolongar momentos de lazer.
A SOCERGS (Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul) alerta, porém, que produtos com altas concentrações de cafeína podem provocar efeitos cardiovasculares indesejados quando ingeridos em excesso.
O alerta está alinhado a uma declaração científica da American Heart Association, publicada em 20 de julho de 2026 na revista Circulation. Segundo a entidade, o consumo de até 400 miligramas de cafeína por dia é considerado geralmente seguro para a maioria dos adultos, quantidade equivalente a aproximadamente três a cinco xícaras de café de cerca de 240 ml, dependendo da concentração.
O documento destaca, contudo, que alguns energéticos concentrados podem apresentar níveis de cafeína três a quatro vezes superiores aos encontrados no café tradicional.
“É importante diferenciar o consumo moderado de café da ingestão de grandes quantidades de cafeína por meio de energéticos ou produtos altamente concentrados. Não podemos analisar apenas o número de latas ou doses, porque a concentração varia bastante. Em excesso, a cafeína pode aumentar a pressão arterial, provocar palpitações e favorecer alterações do ritmo cardíaco”, explica a Diretora de Comunicação da SOCERGS, Débora Hoffmann Loro.
Metabolismo
A resposta à cafeína varia de pessoa para pessoa. Idade, metabolismo, genética, uso de medicamentos e presença de doenças podem influenciar os efeitos da substância. Algumas pessoas podem apresentar palpitações, alterações do sono ou elevação temporária da pressão arterial mesmo com quantidades toleradas por outros indivíduos.
A atenção deve ser maior entre pessoas com hipertensão ou alterações do ritmo cardíaco. Segundo a American Heart Association, doses elevadas de cafeína presentes em energéticos foram associadas ao aumento da pressão arterial e a arritmias, inclusive entre adultos jovens previamente considerados de baixo risco cardiovascular.
“Os 400 miligramas não devem ser entendidos como uma meta de consumo. Há pessoas mais sensíveis à cafeína, por isso é importante observar os sinais do organismo e considerar também a quantidade total ingerida ao longo do dia, incluindo café, chás, refrigerantes, energéticos, suplementos e outros produtos”, acrescenta a médica.
A SOCERGS reforça que energéticos não substituem sono adequado, hidratação, alimentação equilibrada ou hábitos saudáveis. “O consumo deve ser consciente e sintomas como palpitações, dor no peito, falta de ar, tontura ou sensação de batimentos irregulares exigem atenção”, ressaltou a sociedade.





