Segurar o xixi é um hábito para muita gente, mas isso pode trazer consequências reais para a saúde urinária.
Atualmente, a incontinência urinária afeta cerca de 10 milhões de brasileiros, o que corresponde a 5% da população. A condição atinge 45% das mulheres e 15% dos homens com mais de 40 anos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia.
Embora não seja a única causa para esses problemas, ignorar repetidamente os sinais da bexiga pode contribuir para desequilíbrios no funcionamento do trato urinário a longo prazo, causando outras doenças até mais graves do que a incontinência.
Principais riscos à saúde
Segundo o urologista Cajuru, Mark Neumaier, a bexiga tem duas funções principais: armazenar e eliminar a urina. “A capacidade dela é de cerca de 300 a 400 mililitros. Quando chega nesse volume, o ideal é procurar o banheiro e esvaziá-la para evitar problemas”, explicou.
Ignorar repetidamente esse limite pode trazer impactos importantes, especialmente para as mulheres, que têm a bexiga menor. “Uma das consequências mais comuns de segurar o xixi é o risco de infecção urinária. Quanto mais tempo a urina permanece na bexiga, mais tempo a bactéria tem para se proliferar e causar a infecção”, alertou Neumaier.
Com o passar dos anos, o hábito de adiar a ida ao banheiro também pode interferir no funcionamento do órgão, podendo chegar ao ponto de perder a capacidade de sentir a bexiga cheia. A bexiga pode perder força e capacidade de contração, o que dificulta o esvaziamento completo.
“Com o tempo, pode surgir o resíduo pós-miccional, quando a urina fica presa no sistema. Além disso, segurar a urina pode contribuir para quadros mais graves, como incontinência urinária e até formação de pedras nos rins”, revelou Neumaier.
Sinais de que algo pode estar errado
Existem alguns sintomas que podem indicar que o trato urinário não está funcionando bem. Nos homens, os sintomas mais comuns estão associados à próstata.
“O jato da urina começa a ficar mais fraco; pode haver gotejamento no final da micção, além daquela sensação de urgência para ir ao banheiro ou de que a bexiga não foi esvaziada”, ressaltou o médico. Esses sinais costumam surgir a partir dos 35 ou 40 anos e não devem ser encarados como parte normal do envelhecimento.
Entre as mulheres, os sintomas mais frequentes incluem perda involuntária de urina e bexiga hiperativa, aquela vontade súbita de sair correndo para o banheiro, a chamada urgência miccional. “Esses sinais indicam que algo no aparelho urinário pode estar comprometido e devem ser avaliados por um especialista”, ressaltou Neumaier.
Como manter o sistema urinário saudável
A principal recomendação para manter o trato urinário funcionando bem é a ingestão adequada de líquidos, principalmente água. A orientação é consumir pelo menos dois litros e meio por dia, o suficiente para que a urina fique clara.
“Bebidas como refrigerantes e cafeína podem irritar a bexiga, intensificando o desconforto”, apontou o urologista. Além disso, Neumaier também orienta a atenção para a frequência urinária.
Para quem ingere cerca de dois litros de água por dia, o normal é ir ao banheiro até oito vezes por dia. “Um número de idas muito acima disso pode acender o alerta”, afirma.
Para quem pretende passar horas nos bloquinhos de Carnaval, a recomendação é simples: planejar pausas, identificar banheiros próximos sempre que possível e evitar segurar a urina por longos períodos.
“Se você sabe que não terá banheiro disponível tão perto, planeje a ingestão de líquidos e evite ignorar os sinais do corpo”, finalizou o médico.





