Churrasco e diabetes: nutricionista destaca por que o perigo quase nunca está na carne

Nutricionista aponta cinco motivos para diabéticos comerem churrasco.

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Foto: Giulian Serafim / PMPA

Quando o assunto é diabetes tipo 2, poucas refeições parecem tão contraditórias quanto o churrasco.

Ao mesmo tempo em que muita gente associa o momento ao excesso, à gordura e à “comida pesada”, a nutricionista Bela Clerot defende que, para diabéticos e pré-diabéticos, o churrasco pode ser uma escolha melhor do que parece, desde que a pessoa saiba identificar o que realmente pesa contra a glicemia.

Segundo ela, o problema quase nunca está na carne em si. “As pessoas aprendem a ter medo da gordura natural da carne, mas não do pão de alho, da farofa, da maionese com batata, do refrigerante e da sobremesa. Só que, para quem tem diabetes tipo 2 ou resistência à insulina, geralmente é esse conjunto que mais desorganiza a glicose”, afirmou Bela.

Na avaliação da nutricionista, refeições baseadas em proteína costumam trazer mais saciedade, menos vontade de “beliscar” e menor impacto glicêmico em comparação com refeições ricas em farinha, açúcar e amido. Isso não transforma o churrasco em passe livre, mas ajuda a explicar por que, em muitos casos, ele pode ser uma alternativa mais segura do que pratos considerados “normais” no dia a dia.

“Diabético não melhora porque comeu um produto com rótulo fit. Melhora quando muda hábitos, reduzindo aquilo que vira açúcar rápido no corpo e priorizando comida de verdade”, ressaltou Bela.

A nutricionista destacou cinco motivos para diabéticos comerem churrasco. Confira abaixo:

1. Proteína ajuda a estabilizar a glicemia

Carnes não provocam picos de glicose como alimentos ricos em farinha, açúcar e amido. Para quem tem diabetes tipo 2 ou pré-diabetes, isso faz diferença porque reduz a sobrecarga glicêmica da refeição.

2. Gordura natural aumenta a saciedade

Segundo Bela, a gordura natural da carne ajuda a manter saciedade por mais tempo. Com isso, a pessoa tende a sentir menos fome fora de hora e menos necessidade de buscar lanches logo depois de comer. Mas cuidado, perder o medo da gordura natural dos alimentos não significa exagerar nesse nutriente.

3. Churrasco pode reduzir a necessidade de “beliscar”

Quando há proteína suficiente no prato, o corpo tende a responder melhor em termos de fome e saciedade. Na prática, isso pode ajudar a reduzir aquela vontade de sobremesa ou de “beliscar” logo depois da refeição.

4. O problema do churrasco quase nunca é a carne

Para a nutricionista, o que costuma disparar a glicemia no churrasco são os acompanhamentos e bebidas. “Na maioria das vezes, a parte mais segura da mesa é justamente a carne. O que desorganiza a glicose é o que vem junto”, conta. Entre os itens que merecem mais atenção, ela cita pão de alho, farofa, maionese com batata, arroz, mandioca, refrigerante, a famosa cervejinha e sobremesas.

5. Comida de verdade favorece resposta metabólica

Na leitura da especialista, o churrasco pode entrar em uma estratégia alimentar mais adequada quando a base da refeição está em proteína e quando há menos espaço para ultraprocessados, bebidas açucaradas e excessos de carboidratos refinados.

O que observar na prática

Bela orienta que pessoas com diabetes, pré-diabetes ou suspeita de resistência à insulina prestem atenção não apenas à carne, mas ao contexto da refeição inteira. O tipo de acompanhamento, a bebida escolhida, a presença de pão e sobremesa e a quantidade total de carboidratos da ocasião podem mudar completamente a resposta glicêmica.

Nem todo churrasco é igual

A nutricionista ressalta que o churrasco pode ser uma refeição mais metabólica ou uma bomba glicêmica, e que isso depende muito mais das escolhas além da carne. “Entre um prato cheio de pão, arroz, farofa, sobremesa e refrigerante e uma refeição baseada em carne, salada, um vinagrete e água com gás, há muita diferença no impacto no corpo”, afirmou.

Pessoas com diabetes em uso de insulina ou medicações que reduzem a glicose devem ter atenção redobrada em qualquer mudança alimentar e manter acompanhamento profissional. Segundo Bela, ajustes no tratamento não devem ser feitos por conta própria.

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