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Após privatização da Corsan, Comissão inicia audiências com denúncias de faturas abusivas e água contaminada no RS

Comissão Especial colhe informações sobre conflitos entre consumidores e Corsan.

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Foto: Raul Pereira/ALRS

A privatização da Corsan voltou a ser alvo de intensos debates e denúncias no Rio Grande do Sul.

Na tarde desta segunda-feira (15), a Comissão Especial da Assembleia Legislativa que fiscaliza os serviços prestados pela concessionária Corsan realizou a primeira de uma série de oito audiências públicas.

O cenário desenhado por lideranças municipais e entidades sociais foi alarmante: cobranças abusivas, falta de água crônica e falhas graves na qualidade do abastecimento.

Presidido pela deputada Stela Farias (PT), o colegiado colheu depoimentos de várias regiões d Rio Grande do Sul que apontam para o mesmo problema: o encarecimento do serviço acompanhado da queda na qualidade do atendimento.

O caso emblemático

O relato que mais chamou a atenção na audiência partiu de Cachoeira do Sul. O vereador Edimar Garcia (PL) revelou um caso impressionante enfrentado pela família de uma cliente que faleceu recentemente.

“A conta de uma senhora que faleceu saltou de R$ 176,00 para R$ 2.297,00 no mês imediato ao óbito, mesmo com a casa totalmente fechada e sem moradores. Até agora, não tivemos uma explicação do motivo desse aumento em uma residência sem gasto de água”, apontou o vereador.

Situação semelhante de faturas abusivas e sem justificativa clara também foi apontada em Viamão, onde moradores ainda acusam Corsan de abrir poços artesianos sem autorização ambiental na localidade de Águas Claras.

Água imprópria para consumo

As denúncias ganharam contornos de saúde pública com a fala de Mateus Jungues, presidente da Associação Gaúcha em Defesa dos Consumidores de Água e Esgoto. Segundo ele, análises do Laboratório Central do Estado (Lacen) comprovaram a presença de coliformes fecais e a ausência de cloro na água distribuída em várias localidades.

Na reunião, o representante também denunciou sobre taxas de esgoto cobradas de imóveis que sequer possuem ligação com a rede. Em Esteio, roradores relataram ter ficado 10 dias sem poder beber a água da torneira, que apresentava cor e cheiro fortes.

Falta de infraestrutura

A falta de investimentos em infraestrutura básica foi outra queixa recorrente na reunião. Em Lagoa Vermelha, a vereadora Paula Castilhos (PT) criticou a falta de um gerador próprio da empresa.

“Na última vez, 27 mil habitantes ficaram três dias sem água porque faltou luz e a empresa não se dispõe a comprar um gerador. Não temos a quem recorrer, nem a Agergs e nem o governador que privatizou fazem nada”, desabafou.

Já em Canoas, o vereador Emílio Neto (PT) afirmou que a interrupção no abastecimento chega a acontecer três vezes por semana em alguns bairros, além do atendimento precário nas lojas físicas, obrigando parlamentares a acompanharem os cidadãos para que eles consigam ser ouvidos.

Próximos passos

A deputada Stela Farias garantiu que a comissão irá juntar todos os documentos e relatos para cobrar providências jurídicas e do Estado.

“Prometeram que, com a privatização, os serviços iriam melhorar e os investimentos iriam acontecer. No entanto, o que a população recebeu foi um serviço pior e uma conta que não cabe nos orçamentos das famílias”, defendeu a presidente do colegiado.

Cronograma das próximas reuniões:

  • Próxima segunda-feira (22): A comissão irá ouvir formalmente os representantes da Corsan.
  • Semanas seguintes: Serão convocados os órgãos de regulação (como a Agergs) e secretarias estaduais.

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