A infecção urinária, condição comum que afeta milhões de pessoas todos os anos em todo o mundo, afeta 50% das mulheres de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, pode ter sua incidência diretamente relacionada a hábitos cotidianos muitas vezes negligenciados.
O problema ocorre quando microrganismos, principalmente bactérias, invadem o trato urinário, geralmente por falhas na higiene, baixa ingestão de água ou comportamentos inadequados, podendo evoluir em diferentes níveis de gravidade. O alerta é reforçado pela ginecologista Loreta Canivilo, que destaca a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da identificação do tipo de infecção.
De acordo com a especialista, fatores aparentemente simples, como segurar a urina por longos períodos, higienizar-se de forma incorreta após evacuar, uso frequente de roupas íntimas muito apertadas ou de tecidos sintéticos, além da baixa ingestão de líquidos, contribuem significativamente para o desenvolvimento da infecção.
“Esses hábitos favorecem a proliferação de bactérias na região íntima e aumentam o risco de elas atingirem o trato urinário”, explicou Loreta.
A infecção urinária pode se manifestar de diferentes formas, dependendo da região afetada. A cistite é a mais comum e atinge a bexiga, provocando sintomas como ardência ao urinar, aumento da frequência urinária e dor na parte inferior do abdômen.
Já a pielonefrite é uma infecção mais grave, que atinge os rins e pode causar febre alta, dor lombar e calafrios, exigindo atenção médica imediata. A uretrite, por sua vez, é uma infecção na uretra, frequentemente associada a doenças sexualmente transmissíveis.
Entre os sintomas gerais mais relatados estão ardência ao urinar, urgência e aumento da frequência urinária com pouco volume, sensação de bexiga sempre cheia, dor pélvica e, em casos mais graves, presença de sangue na urina e febre. “É fundamental que, ao perceber esses sinais, a pessoa procure atendimento médico para diagnóstico correto e início do tratamento adequado”, orientou Loreta.
Tratamento e prevenção
O tratamento geralmente é feito com antibióticos prescritos por um profissional de saúde, além de medidas complementares, como aumento da ingestão de água para ajudar na eliminação das bactérias. A automedicação, no entanto, deve ser evitada. “O uso indiscriminado de antibióticos pode mascarar sintomas e contribuir para a resistência bacteriana, tornando o quadro mais difícil de tratar”, alertou Loreta.
A prevenção ainda é a melhor estratégia. Entre as recomendações estão beber bastante água ao longo do dia, urinar sempre que houver vontade, manter uma higiene íntima adequada, preferir roupas íntimas de algodão e urinar após relações sexuais. “Pequenas mudanças no dia a dia fazem grande diferença na saúde urinária e na qualidade de vida, especialmente das mulheres, que são mais suscetíveis à infecção”, destacou a ginecologista.
Além disso, é importante evitar o uso de duchas íntimas e produtos perfumados na região genital, pois podem alterar a flora natural e favorecer infecções. Manter uma alimentação equilibrada e fortalecer a imunidade são aliados importantes na prevenção.
“Cuidar da saúde íntima deve ser parte da rotina. Informação e atenção aos sinais do corpo são fundamentais para evitar complicações e recorrências”, concluiu Loreta.





