O movimento de veículos nas rodovias do Rio Grande do Sul caiu 0,6% em julho de 2026, na comparação com junho, segundo o Dados do Monitor de Tráfego nas Rodovias, levantamento realizado pela Veloe em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
O resultado considera a série com ajuste sazonal e foi influenciado pela redução tanto no fluxo de veículos leves (-0,7%) quanto no de pesados (-0,3%). Apesar da queda mensal, o tráfego nas estradas gaúchas ainda registra crescimento nas comparações de prazo mais longo.
Em relação a julho de 2025, o movimento total aumentou 1,2%. O resultado, porém, esconde comportamentos distintos: enquanto o fluxo de veículos leves avançou 2,6%, o de veículos pesados recuou 3,4%.
No acumulado de janeiro a julho, o tráfego nas rodovias do Estado cresceu 2,3% em relação ao mesmo período de 2025. Mais uma vez, os veículos leves sustentaram o resultado, com alta de 3,4%, enquanto os pesados apresentaram queda de 1,5%.
Considerando os 12 meses encerrados em julho, o fluxo total acumula crescimento de 3,1%. O avanço é puxado pelos veículos leves, que cresceram 4,2%. Entre os pesados, houve praticamente estabilidade, com retração de 0,3%.
Chuva e temporais afetaram circulação
A retração de julho coincidiu com episódios de chuva intensa e instabilidade no Rio Grande do Sul. Na segunda metade do mês, sucessivos sistemas meteorológicos atingiram o estado, com registros e alertas para tempestades, granizo, ventos fortes e volumes elevados de chuva.
Para o período entre 20 e 27 de julho, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) chegou a indicar acumulados que poderiam alcançar 200 milímetros em algumas áreas.
Essas condições podem ter provocado interrupções temporárias, alterações de rotas e dificuldades logísticas, contribuindo para a queda mensal. Não é possível, contudo, isolar o efeito do clima sobre o índice de tráfego.
O recuo também coincidiu com uma fase de menor intensidade do escoamento da safra de verão e de desenvolvimento das culturas de inverno.
Transporte de cargas segue mais fraco
Os veículos pesados são um dos principais pontos de atenção. Embora o tráfego agregado permaneça positivo no acumulado do ano e em 12 meses, os fluxos de carga apresentam desempenho mais fraco.
Em julho, o fluxo de pesados caiu 3,4% ante o mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a julho, a retração é de 1,5%, enquanto nos últimos 12 meses o movimento ficou praticamente estável, com queda de 0,3%.O resultado ocorre em uma economia com forte presença da agropecuária, agroindústria, indústria de transformação e logística.
O transporte rodoviário é fundamental para o escoamento de grãos, carnes, madeira, celulose e insumos, além da movimentação ligada aos setores industrial e portuário.
Julho também marca uma fase distinta do calendário agrícola, com menor intensidade do escoamento da safra de verão e culturas de inverno, como o trigo, em desenvolvimento. Isso pode reduzir parte da demanda por transporte associada à produção agrícola.
Frota gaúcha tem mais de 8,6 milhões de veículos
Dados mais recentes da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito), referentes a junho, mostram que o Rio Grande do Sul tinha 8,63 milhões de veículos, o equivalente a 6,5% da frota brasileira. A quantidade de veículos cresceu 0,2% em relação a maio.
No acumulado do ano, a alta é de 1,1%, enquanto em 12 meses chega a 2,5%. Os automóveis representam 57,6% da frota gaúcha. Na sequência aparecem motocicletas (14,7%), caminhonetes (8,3%), camionetas (4,9%), caminhões (3%) e reboques (2,9%).
Na distribuição por combustível, predominam os veículos exclusivamente a gasolina, que representam 44% da frota, seguidos pelos veículos flex (gasolina e etanol), com 38,3%. O diesel corresponde a 9,3%, enquanto veículos exclusivamente a etanol representam 2,3%. A participação de veículos elétricos ou híbridos ainda é pequena: 0,5% da frota.
Outro dado chama atenção para o envelhecimento dos veículos em circulação. A idade média da frota gaúcha é de 20,8 anos. Mais de quatro em cada dez veículos (41,2%) têm mais de 20 anos de fabricação. Apenas 12,8% dos veículos têm até cinco anos, enquanto 12,4% estão na faixa de seis a dez anos.
Os dados mostram acomodação no curto prazo, mas quadro ainda positivo para o tráfego agregado nos horizontes mais longos. O tráfego leve sustenta o resultado, enquanto os indicadores negativos dos pesados apontam para fluxos de carga mais fracos.




