Polêmico monólogo do premiado dramaturgo e roteirista espanhol Paco Bernal, o espetáculo O Profeta Louco volta a cartaz no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre, para única apresentação no dia 31 de maio de 2026, domingo, às 18h.
A obra, que ganhou tradução inédita no Brasil, com adaptação e direção de Suzi Martinez, traz reflexões profundas sobre fé, ironia, humanidade e saúde mental. No palco, o ator Juliano Passini dá vida a um personagem que transita entre a figura de Jesus e a de Manuel, um homem perturbado.
O espetáculo une máscaras teatrais, pesquisa corporal e narrativa intensa para provocar no público emoção, riso e reflexão. O cenário se transforma entre capela e sala psiquiátrica, reforçando a dualidade da dramaturgia.
A apresentação contará com audiodescrição e tradução para Libras, além de um debate sobre a peça, conduzido pela Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, logo após a sessão. Os ingressos têm preços populares, entre R$ 10 e R$ 60, à venda no site do Theatro São Pedro e na bilheteria do Multipalco Eva Sopher.
O enredo
Em uma pequena capela de mosteiro, Jesus, ainda na cruz, aguarda a noite para descer de seu “posto de trabalho” e descansar. Em seus raros momentos de folga, fala de suas dores, de sua relação com seus pais e sua mãe, de seu amor por Madalena e da “empresa” que o colocou naquele lugar.
Aos poucos, outra presença emerge: um homem entupido de psicotrópicos, inquieto, que embaralha as fronteiras entre realidade e delírio. Até que o público começa a se questionar: afinal, estamos diante de um messias ou de um louco? Estamos numa capela ou num psiquiátrico?
“Desde a primeira leitura, me emociono em vários momentos por conta da força da palavra nesse texto. Tem sido um desafio artístico e uma transformação pessoal gigantesca. Ninguém vai ficar indiferente em relação ao texto”, comentou Juliano Passini.
A diretora Suzi Martinez destaca a busca por ternura e cumplicidade com o público em seu exercício de adaptação do texto. “É um personagem profundamente sabedor do que é a vida, da generosidade, das ideias revolucionárias, do amor ao próximo e do cooperativismo”, contou.
O resultado é um trabalho que coloca dois personagens em cena para falar sobre lucidez e loucura, transitando entre o drama sensível e de humor ácido.




