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Em Lajeado, CPI dos Pedágios cobra suspensão do leilão do Bloco 2 em audiência pública 

Para a CPI dos Pedágios da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, há alternativas mais econômicas.

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Foto: Juliana Thomaz/ALRS

A CPI dos Pedágios da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizou, na noite desta sexta-feira (20), audiência pública na Câmara Municipal de Lajeado para debater os impactos do Bloco 2 de rodovias, cujo leilão está marcado para 13 de março 2026.

Em Lajeado, atividade reuniu lideranças regionais, representantes de entidades, vereadores, prefeitos e moradores do Vale do Taquari e da Região Norte, que manifestaram preocupação com o modelo de concessão proposto pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

“O Bloco 2 prevê concessão por 30 anos em 408 quilômetros de estradas, com instalação de 24 pórticos de cobrança em sistema free flow, distribuídos em 32 municípios — média de um pórtico a cada 17 quilômetros — e tarifa-teto de R$ 0,19 por quilômetro rodado”, destacou a assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Para o relator da CPI, deputado Miguel Rossetto , o modelo impõe um pedágio “muito caro” à população e à economia regional. Como exemplo, citou o impacto direto no transporte de cargas: um caminhão de três eixos que hoje paga cerca de R$ 30 no trajeto Lajeado–Passo Fundo passaria a desembolsar aproximadamente R$ 200. “Isso desequilibra a relação econômica da região e penaliza caminhoneiros, consumidores e empresas”, afirmou.

A audiência também trouxe à tona a experiência do Bloco 3, na Serra Gaúcha, citada como alerta: após quase quatro anos de cobrança e reajustes anuais, não houve duplicação de trechos prometidos.

“Além disso, Rossetto observou que a própria agência reguladora ainda não concluiu a avaliação do sistema free flow, o que reforça a necessidade de cautela antes de firmar um contrato de longo prazo”, ressaltou a assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Para a CPI dos Pedágios da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, há alternativas mais econômicas para garantir investimentos, segurança e qualidade nas rodovias sem impor tarifas abusivas.

Dinheiro do Estado

O relator defendeu a revisão do modelo e a consideração de soluções com maior protagonismo da E GR (Empresa Gaúcha de Rodovias), além do uso de recursos do FUNRIGS para viabilizar obras.

“O Estado tem dinheiro. Precisamos buscar alternativas que preservem o interesse público, garantam investimentos e estabeleçam uma tarifa razoável. Um contrato de 30 anos mal feito é um desastre”, reforçou.

“Vamos insistir na suspensão do leilão para corrigir o modelo. Quem paga a conta é o usuário, o caminhoneiro, o cidadão de Lajeado e do Vale do Taquari. Queremos uma região mais integrada, desenvolvida e com infraestrutura melhor, sem sangrar a economia local”, finalizou Rossetto.

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