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Caso Gabriel: ex-policiais são condenados a 24 anos de prisão por morte de jovem no RS

Gabriel desapareceu em agosto de 2022 após ser colocado em uma viatura da Brigada Militar.

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Foto: Divulgação/MPRS

O Tribunal do Júri condenou, na madrugada deste sábado (4) três acusados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos.

O crime, ocorrido em 2022 na cidade de São Gabriel, resultou em uma pena de 24 anos de reclusão em regime fechado para cada um dos réus. A denúncia, apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, apontou homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Além da prisão, a sentença determinou a perda imediata dos cargos na Brigada Militar e o pagamento de uma indenização de R$ 100 mil aos familiares do jovem.

Julgamento e visitas ao local do crime

O julgamento, que durou cinco dias, teve início na última segunda-feira (29) com o depoimento de testemunhas. Em um dos momentos mais marcantes do processo, entre a noite de quarta (1) e a manhã de quinta-feira (2), jurados, juízes, Defesa e o Ministério Público realizaram uma inspeção técnica na localidade de Lava Pé, área rural onde o corpo de Gabriel foi ocultado e posteriormente encontrado.

Os debates em plenário se estenderam ao longo de toda a sexta-feira (3), culminando na decisão dos jurados já no início deste sábado.

A cúpula do Ministério Público acompanhou de perto o desfecho do caso. Presente no plenário, a subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Alessandra Moura Bastian da Cunha, afirmou que a instituição encerra o caso com o “dever cumprido” e como a “voz das vítimas”.

Para os promotores que atuaram diretamente na acusação, o veredito deixa um recado claro sobre a conduta policial:

  • Decisão paradigmática: O promotor Eugênio Paes Amorim classificou o júri como histórico. “Vai servir de exemplo para a função do policial militar. A função do policial é servir e proteger, não matar, muito menos matar inocentes”, declarou.
  • Complexidade : A promotora Karine Teixeira pontuou que este foi o caso mais difícil de sua carreira por envolver a Brigada Militar e reforçou a urgência do debate institucional: “Por isso a importância das câmeras corporais”.
  • Autoria comprovada: A promotora Maria Fernanda Rabelo enfatizou que a decisão não deixa dúvidas. “Os jurados reconheceram a responsabilidade dos réus e que não há margem para a participação de qualquer outra pessoa”.

A coordenadora do Centro de Apoio Operacional Criminal, Lisiane Veríssimo, responsável pela denúncia original da época dos fatos, relembrou a promessa feita aos pais de Gabriel.

“O abraço na família nos emociona e nos motiva todos os dias a continuar buscando justiça e, neste caso, pude abraçar o pai e a mãe do jovem lá na localidade onde o corpo foi encontrado e disse para eles, na ocasião, que nós iríamos buscar justiça pelo Gabriel”, concluiu Lisiane.

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