O furto de fios e cabos têm provocado impactos diretos no funcionamento e na operação do comércio de Porto Alegre.
Pesquisa realizada pelo Núcleo de Pesquisa do Sindilojas Porto Alegre aponta que 81,5% das empresas entrevistadas afirmaram ter sido afetadas por esse tipo de crime nos últimos 12 meses com prejuízos estimados em mais de R$ 240 milhões.
O levantamento será apresentado pela entidade na segunda-feira (25), às 10 horas, durante reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara Municipal de Porto Alegre, que investiga os furtos e roubos dos itens.
A pesquisa ouviu empresas com negócios em diferentes regiões da Capital, entre os dias 8 e 15 de maio 2026. Entre os principais impactos relatados estão queda de internet e telefonia (80,3%), falta de energia elétrica (75,8%), prejuízos financeiros (68,2%), aumento da sensação de insegurança (62,1%) e paralisação das atividades (59,1%).
Além dos transtornos operacionais, o prejuízo financeiro é significativo. “Quase 40% dos entrevistados estimam perdas entre R$ 2 mil e R$ 10 mil, e 22,7% afirmam ter registrado prejuízos acima de R$ 10 mil. Com base nos dados coletados, a entidade estima que o impacto econômico total para o comércio de Porto Alegre possa variar entre R$ 63,7 milhões e R$ 241,4 milhões”, disse o Sindilojas Porto Alegre.
Episódios recorrentes
Segundo o Sindilojas Porto Alegre, o levantamento também mostra que os episódios têm sido recorrentes. Entre os empresários afetados, 48,5% disseram ter sofrido impactos entre duas e três vezes no último ano, enquanto 10,6% afirmaram ter enfrentado mais de seis ocorrências no período.
Outro dado que chama atenção é o tempo de interrupção das atividades. Quase 58% das empresas afetadas ficaram impossibilitadas de operar entre seis horas e mais de 24 horas em razão dos crimes. Problemas em sistemas de pagamento (39,4%) e redução no fluxo de clientes (33,3%) também aparecem entre os reflexos mais frequentes.
Para o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Arcione Piva, os números evidenciam que o problema deixou de ser apenas uma questão de segurança pública e passou a comprometer diretamente a atividade econômica da cidade.
“Estamos falando de um impacto que paralisa operações, afeta vendas, prejudica o atendimento ao consumidor e amplia a insegurança em diversas regiões de Porto Alegre. É fundamental que haja uma atuação integrada e mais efetiva do poder público no combate à receptação e às quadrilhas envolvidas nesses furtos”, afirmou Piva.
A percepção dos empresários sobre a atuação do poder público também aparece na pesquisa: 74,2% consideram que o enfrentamento ao problema não tem sido adequado. Apenas 1,5% avaliam positivamente as ações realizadas até o momento.




