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Tráfego nas rodovias do RS sobe 11,8% em 12 meses

O fluxo de veículos pesados também aumentou nas rodovias do Rio Grande do Sul.

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Foto: Rosana Klafke/Redação RS

Quase dois anos após as enchentes históricas que afetaram cidades, estradas e cadeias logísticas no Rio Grande do Sul, o movimento nas rodovias do estado segue em recuperação.

Nos últimos 12 meses, o tráfego acumulou alta de 11,8%, segundo dados do Monitor de Tráfego nas Rodovias, levantamento realizado pela Veloe em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

O avanço foi puxado principalmente pela circulação de veículos leves, que cresceu 13,1% no período. Esse movimento pode indicar uma retomada gradual dos deslocamentos de pessoas, seja em viagens cotidianas, intermunicipais, de lazer ou de trabalho. O fluxo de veículos pesados, mais associado ao transporte de cargas e à atividade logística, também cresceu nos últimos 12 meses, com alta de 7,6%.

Na passagem de março para abril, já descontados os efeitos sazonais, o tráfego total nas rodovias gaúchas avançou 2,4%. O resultado combinou aumento de 3,3% na circulação de veículos leves e alta de 0,8% entre veículos pesados. Na comparação com abril de 2025, o tráfego total cresceu 5,4%, novamente com desempenho mais forte dos veículos leves (+7,1%), enquanto o fluxo de pesados apresentou leve retração (-0,4%).

Os dados reforçam sinais de normalização da circulação no estado após os impactos provocados pelo desastre climático de 2024, que interrompeu estradas, afetou deslocamentos e dificultou o transporte de pessoas, insumos e mercadorias. Nesse contexto, os indicadores de tráfego ajudam a acompanhar não apenas o movimento nas rodovias, mas também o ritmo de recomposição da mobilidade e da logística regional.

“O avanço do tráfego no Rio Grande do Sul mostra que o estado vem recuperando gradualmente sua capacidade de circulação de pessoas e mercadorias após os impactos climáticos de 2024. Os indicadores de mobilidade ajudam a medir não apenas o deslocamento nas rodovias, mas também o ritmo da retomada econômica e logística da região”, afirmou Mauro Kondo, superintendente de Negócios B2B da Veloe.

Desafios

Apesar da recuperação do fluxo rodoviário, os dados da frota mostram que o estado ainda enfrenta desafios estruturais importantes. Segundo estatísticas da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito), o Rio Grande do Sul possuía 8,56 milhões de veículos em março de 2026, o equivalente a 6,6% da frota nacional. A idade média dos veículos chegou a 19,9 anos, e 40,9% da frota foi fabricada há mais de 20 anos.

A maior parte da frota gaúcha é formada por automóveis (57,7%) e motocicletas (14,7%). Em relação ao combustível, predominam veículos movidos exclusivamente a gasolina (44,2%) e modelos movidos a gasolina e etanol (38,2%). Veículos elétricos ou híbridos ainda representam apenas 0,5% do total.

No acumulado de 2026 até abril, o fluxo nas rodovias gaúchas cresceu 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço foi sustentado principalmente pelos veículos leves, enquanto os pesados ficaram próximos da estabilidade.

O resultado reforça a leitura de que a recuperação do tráfego no estado ocorre de forma gradual e desigual entre os segmentos, combinando melhora da mobilidade de pessoas, recomposição logística e desafios persistentes ligados à infraestrutura e à renovação da frota.

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